Sinopse: “Onde o Sol Nasce Primeiro” foi a terra oferecida por Deus para que os homens provassem que eram capazes de se redimirem e reconstruírem um mundo de fidelidade aos princípios celestiais, já que Deus, inconformado com os males que acometiam a Terra, resolveu queimá-la, pois a maldade e a ambição imperavam. Mas Antes do apocalipse, Deus recrutou os homens mais obedientes, ordenando a estes a missão de repovoarem o planeta. E escolheu um líder, batizando-o de “Maior”; determinando-lhe o poder sobre as pessoas. O Maior era o único capaz de falar com Deus. A ligação direta entre o Céu e a Terra. O Maior era a voz Divina.
De vez em quando, com saudades do tempo primeiro, em que convivia com todos os homens, Deus escolhia um membro da comunidade para ir ao Céu e habitar eternamente em sua morada, sendo que os escolhidos nunca mais voltavam.
Assim, sob verdades inquestionáveis e crentes de serem os únicos habitantes da Terra, viviam os Membros da Comunidade do Sol Nascente, até a chegada de uma estranha mulher, que confundiu os olhos daquela gente. Quando achada na praia por Adriel, Alice provou imediatamente e irrefutavelmente que os membros não eram os únicos habitantes a ocuparem o planeta e à medida que ela procurava voltar para o “mundo normal”, de onde dizia ter vindo, novos segredos camuflados na dinâmica religiosa daquele povo vinham à tona, colocando em dúvida as certezas construídas sobre a história da comunidade e o objetivo real da sua fundação e perpetuação.





   Olá, gente! Como deu para notar já faz um belo tempo sem postar por aqui, final de ano anda meio corrido, como se não bastasse ficamos sem internet e outras 'tretas' surgiram...  Infelizmente por causa disso acabamos sem poder fazer o nosso post sobre a Bienal de Pernambuco (que foi incrível). Enfim, estamos de volta para resenhar um livro que estive bem ansiosa para ler por um tempo, chegamos a fazer um entrevista com o autor (confere aqui) e acompanhamos o lançamento dele na Bienal de PE.

 Hoje, iremos fazer a resenha de um modo diferente, estávamos estudando uma forma de resenha mais atrativa para vocês e provavelmente a partir de agora todas as resenhas do My Little Wonderland serão assim. Bora lá?



    Resumo rápido da história... 

     Para quem estudou filosofia deve se lembrar sobre o Mito da Caverna de Platão, certo? (se não lembra pode dar uma olhadinha nesse post bem explicativo) De forma rápida e prática poderíamos dizer que Onde o Sol Nasce Primeiro é uma releitura moderna desse conto se passando em terras brasileiras. Parte do meu entusiasmo pelo livro do Rodrigo foi justamente essa semelhança, gosto muito desse temática de "manipulação" e sobre o que é real ou não.

  A caverna nesse caso seria a Comunidade do Sol Nascente.  As pessoas que vivem lá acreditam que são os últimos sobreviventes da Terra depois do apocalipse, em que Deus teria destruído a humanidade por causa de seus pecados. Eles seriam, por assim dizer, "escolhidos" para repovoar a terra segundo os princípios de Hade (Deus). A Comunidade é liderado pelo Maior, que é responsável por passar a vontade de Hade ao povo, como um mediador. De tempos em tempos é escolhido entre eles alguém para ir habitar junto a Deus e a  partir de então nunca mais são vistos.

    A história tem se inicio quando Alice, uma mulher desconhecida e do 'nosso mundo', é encontrada desmaiada na praia da Comunidade do Sol Nascente por Adriel. A partir daí veremos a tentativa de Alice para sair dali, ao mesmo tempo em que vai descobrindo vários segredos que rondam a Comunidade e o real motivo pelo qual ela existe.

Personagens

   Em Onde o Sol Nasce Primeiro não temos personagens que são cativantes de inicio. Na verdade, eles são bem reais, e não é como se morrêssemos de amores pelas pessoas que vemos pela primeira vez, né? Mas o mais interessante é que a realidade dos acontecimentos que vão sendo apresentados são tão verdadeiros, que não apenas torna a história plausível, como também nos faz entender bem os personagens.

  De longe a Alice é o personagem mais interessante do livro. As primeiras cenas em que ela aparece (no acidente que a fez chegar a ilha) fiquei realmente angustiada, não sei o que faria em seu lugar...  Ela me lembrou muito as protagonistas de Dan Brown, uma mulher forte e inteligente, e que não é a típica mocinha que precisa ser socorrida.

   Quanto aos habitantes da ilha, esses sim me deixaram irritada. Sei que não havia como ser diferente numa situação dessas em que você é levado a acreditar em uma mentira por todas sua vida, no entanto não conseguia crer em como eles poderiam ser tão ingênuos. Sério, várias vezes me vi xingando eles, principalmente no comecinho do livro, quando Alice tenta explicar sobre o mundo 'real'. 

 Adriel é o personagem que acha Alice primeiro. Assim como todos da comunidade Adriel é bem ingênuo, mas por estar passando um momento difícil, uma vez que sua amada havia acabado de ser escolhida para juntar-se a Hade (deus) em sua morada, ele andava já muito confuso e descontente com sua realidade, assim como Emanuel e Ramon que também vão estar bem presentes na história. O primeiro, Emanuel, é basicamente um desertor, vemos sua tentativa de fugir da Comunidade porque mesmo após anos seguindo fielmente os princípios de Hade, nunca havia sido escolhido para ir ao seu encontro. Já Ramon era tido por todos da comunidade como morto,e apesar de ainda acreditar em muitas das mentiras que lhe fora ensinado era entre todos o menos ingênuo.

  São esses os personagens mais importantes da história e que vão aos poucos descobrindo a verdade por trás da comunidade e que vão tentar abrir os olhos de todos.

Sobre a escrita

     Uma das maiores surpresas para mim foi a escrita do Rodrigo. Na verdade não tinha ideia do que esperar. Em um primeiro momento achei que seria uma escrita cansativa e arrastada, já que logo no inicio nos deparamos com o uso de palavras um tanto 'complexas', na verdade não sei se seriam complexas, mas não é aquela narração de mastigada e simplista que se vê muito hoje em dia, não é uma leitura popular. Então para quem não está habituado pode ser estranho no começo, mas nada que complique a leitura, pelo menos eu consegui ler tudo de forma bem fácil e rápida. Para mim, sem dúvidas, a narrativa é o ponto mais positivo no livro.

  Por que Ler?

      Na nossa entrevista com Rodrigo ele nos tinha dito que tinha se inspirado em algumas escritores na hora de dar vida ao seu primeiro livro, para quem já leu e conhece Dan Brown deve perceber essa influência na hora da leitura. Não na escrita em si, que achei bem característica do Rodrigo mesmo, mas como foi estruturado. Os acontecimentos são todos narrados em terceira pessoa, mas de diversos pontos de vistas diferentes, ou seja a medida que a história é desenvolvida podemos acompanhar outras histórias paralelamente que vão se inter cruzando. É muito legal como o mistério em volta da Comunidade vai sendo revelado ao poucos.

    Mas o principal motivo pelo qual incentivo a leitura de Onde o Sol Nasce Primeiro é por causa da analise sobre o mundo que o livro nos dá. Se você já viu Matrix deve ter uma ideia do que estou falando, sobre como as pessoas são facilmente influenciáveis e enganadas a acreditar em algo que não é real. Ou seja apesar do mistério e aventura (?) o livro é bem filosófico desse ponto de vista.

   Leitura mais que recomendada, espero sinceramente que se você tiver a oportunidade de lê-lo um dia , não deixe passar.
  


Fotos na Bienal com o Rodrigo




Título: Battle Royale
Autor(a): Koushun Takami
Editora: Globo Livros
Ano: 2014
Páginas: 664




Sinopse: Em ‘Battle Royale’ o autor se aprofunda com mais vigor no desenho psicológico dos numerosos personagens – a turma de estudantes tem 42 pessoas -, trazendo à tona informações sobre a história de cada um como forma de explicar seu comportamento e suas reações diante dos perigos do jogo pela sobrevivência. Na batalha de todos contra todos, há os que enlouquecem, os que se revoltam, os que extravasam os piores instintos, os que buscam se alienar – e até os que assumem com prazer a missão de eliminar pessoas que horas antes eram colegas de classe. Nesse ambiente, o fio do suspense se mantém esticado o tempo todo – é possível confiar em alguém? Do que um ser humano é capaz quando toda forma de violência passa a ser incentivada? 






  Battle Royale é tido como o inspirador de Jogos Vorazes ou para as más línguas a obra que Suzanne Collins plagiou. Suposições à parte, esse livro realmente é para aqueles que amam perder fôlego a cada página e que merece ser reconhecido bem mais do que o "inspirador" de um livro que virou modinha adolescente.

 Sou fã ( sempre serei!) da obra criada pela Collins. Não pelo romance nem pelo sucesso e sim pela crítica presente no livro. Admito, no entanto que a história do Koushun Takami foi superior em alguns aspectos.
   
  Battle Royale foi escrito no Japão e lançando em 1999. Esse livro logo teve muitas vendas e mais tarde se tornou um mangá (Para quem não sabe mangá são quadrinhos japoneses e eu amooooo!!!!!) foi assim que descobri a existência desse obra.

  A história conta como quarenta e dois estudantes comuns do nono ano da escola de ensino fundamental Shiroiwa se enfrentam até a morte no programa Battle Royale, mas estou me adiantado aqui, porque tudo começa com uma simples excursão escolar onde Shuya Nanahara (o personagem principal) e os outros alunos viajavam descontraídos sem saber o que lhes aguardavam. Em um dado momento eles adormecem misteriosamente no ônibus e acordam devidamente uniformizados e com uma coleira metálica em volta de seus pescoços, em uma sala. É aí que aparece Kinpatsu Sakamochi (esse maldito sem emoções!). Ele explica que como de costume na República da Grande Ásia Oriental, uma turma do nono ano de uma escola qualquer do país é escolhida para participar do Programa e que chegou a vez deles. Não há como fugir as coleiras explodiram caso se recusem a participar. A confusão e o medo dominam os estudantes, mas antes que se dessem contam já estavam saindo da sala com mochilas de sobrevivência e entrando na arena, uma ilha desocupada onde o Battle Royale começaria. 

   Genteeeeeeee! Esse livro estraçalhou meu coração e brincou com ele como se fosse feito de gelatina.Para quem já leu ou assistiu Jogos Vorazes e chorou com as mortes dos personagens ou torceu para que o vilão morresse lentamente e do pior jeito possível, tenho que falar que isso não chega sequer se comparável ao que acontece em Battle Royale. Nesse livro todos se conhecem, são amigos de infância, namorados, colegas de escola. Isso é o pior para quem participa do Programa porque é comum falarem coisas do tipo: "Ele não vai me matar é meu amigo", "ela não me machucaria é tão fraca", "posso confiar neles..." E de repente aparecem traidores e maníacos e estão lutando uns contra os outros. 
  
 Ao começar a ler achei que os quarenta e dois nomes japoneses que são jogados para o leitor fossem ser um problema e que com tantos personagens seria difícil me apegar a algum. Errei feio.  Não tive problemas para lidar com os nomes e quantidade deles, com também chorei horrores quando certos pessoas morriam. Uma coisa que me doía na alma era o final dos capítulos, isso porque sempre aparecia "restam 42 estudantes", "restam 41 estudantes" ... "Restam 13... 12 ...4..." E assim por diante. Meu Deus quanta tensão!

   Amei os personagens, cada um deles tinham personalidade distintas e únicas. Como não posso falar de todos citarei alguns mais importantes. 
    
 Shuya é o queridinho das meninas. Popular, bonito, e ex-jogador de beisebol do Little League da escola, ele abandonara o esporte para se dedicar a guitarra elétrica, considerado antipatriótico. Ele é o menino que sempre defende os amigos, fez a coisa certa mesmo que signifique se arriscar e que consegue atrair o leitor sem muitas palavras.  Noriko a menina por quem o melhor amigo de Shuya é apaixonado, e que Shuya faz tudo para protege-la. Ela fofa e ponto. Há também o Shinji o garoto genial do basquete e do computação. Shogo o misterioso, que você não sabe se confia ou mata, mas que ao longo do livro aprende a ama-lo. E Kazuo aquele que dá medo nas primeiras cenas.

   A história é bem escrita e eletrizante, os personagens bem construídos e as cenas são cheias de sangue. Há momentos tensos, principalmente quando não sabe se alguém é ou não capaz de matar, ou quando aquela personagem cínica se aproximava e você já pensa: Droga! Morreu...   

    Mesmo não sendo tão explicito, as críticas de Battle Royale também me chamaram atenção. Um país totalmente totalitário, onde a internet é um rede fechada e controlada pelo governo, onde rock e outras musicas com letras sobre liberdade são reprovadas. E qualquer que for contra  os programas e atitudes do governo é morto na hora, sem oportunidade de desculpas ou julgamento. Parece tão atual que chega a dar medo...

   Mesmo fazendo muitas comparações com Jogos Vorazes, não acho que uma seja melhor ou pior que a outra. Os estilos e os focos são diferentes. Ambas as obras são geniais do seu jeito. Mas gosto é gosto e eu já tenho meu favorito, por isso lá vai um dica:
   
  Leiam Battle Royale. <3
   
   É incrível... \o/\o/\o/

Fotos